Em março, a editora Terra da Luz lançou Chico Albuquerque Fotografias, primeiro livro dedicado exclusivamente à obra deste mestre na arte da imagem, falecido aos 83 anos em dezembro de 2000, contendo uma coletânea de suas principais séries. Agora, é a vez de parte desse material sair das páginas para ser exposto. Vinte e cinco fotografias poderão ser vistas na EXPOSIÇÃO CHICO ALBUQUERQUE FOTOGRAFIAS, com coquetel de lançamento no dia 28 de agosto, às 9h no Sobrado Dr. José Lourenço. A exposição poderá ser visitada até o dia 21 de outubro e no local haverá ainda exibição de vídeos sobre o fotógrafo e livros.
A realização é do Instituto Cultural Chico Albuquerque (ICCA) em parceria com o Instituto Viva Brasil, que mostram ao público imagens de quatro séries de sua obra fotográfica. São elas: Ensaios (1930/1960), Mucuripe (1942/1952), Frutas (1978) e Jericoacoara (1985), que também estão presentes no livro. São ampliações em papel algodão, dispostas em molduras de 50x60cm, que compõem parte de uma tiragem limitada, pertencente aos acervos do ICCA e Imagem Brasil. Depois de Fortaleza, a exposição segue para circuito de galerias e outros espaços fora do Ceará.
No lançamento oficial haverá uma Roda de Conversa com Patrícia Veloso (Diretora da Terra da Luz Editorial), Ricardo Albuquerque (Presidente do ICCA) e convidados. Curadora da exposição, Patrícia Veloso acompanhou Chico Albuquerque em seus trabalhos durante 15 anos, de 1985 a 2000, realizando suas exposições, editando seus livros e organizando seus acervos. Em 1989 foi responsável pela edição do primeiro livro do fotógrafo, Mucuripe. Dez anos depois montou a exposição retrospectiva dos 65 anos de sua obra. É dela também a curadoria, juntamente com Ricardo Albuquerque, e a edição do livro Chico Albuquerque Fotografias, lançado este ano.
O FOTÓGRAFO
Chico Albuquerque é considerado uma referência na história da fotografia moderna do Brasil, conforme destacou o pesquisador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Junior no texto de abertura do livro. E disse mais, pela sua incrível trajetória no mundo da luz, por sua disponibilidade em compartilhar os seus momentos especiais em magníficas fotografias, por sua fiel amizade com outros artistas e intelectuais, pela sua ousadia e competência, entre outras razões, está entre os grandes nomes da fotografia do século XX produzida no Brasil.
Nascido em Fortaleza em 25 de abril de 1917, Chico Albuquerque iniciou sua carreira trabalhando com cinema aos 15 anos e aos 17 já era fotógrafo profissional. Em 1943, aos 25, fez still do filme It’s All True, de Orson Welles. Mudou-se para São Paulo em 1947, onde permaneceu até 1975. Nos primeiros dez anos já havia conquistado uma posição privilegiada no mercado, antes exclusivo de retratos. Fez portraits de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Burle Marx, Aldemir Martins, Cacilda Becker, Odete Lara e outras tantas personalidades do mundo político, artístico e social do país.
Chico Albuquerque inovou a publicidade brasileira fotografando modelo e produto em uma campanha da Johnson & Johnson, da agência J.W Thompson. Deixou sua assinatura em temas como indústria automobilística, moda, culinária, retrato, arquitetura e, paralelamente, produziu ensaios autorais que se tornaram célebres, como Mucuripe.
Em Fortaleza, onde voltou a morar a partir de 1975, foi responsável por uma transformação no mercado fotográfico cearense, tornando-se mestre de toda uma geração de fotógrafos, alguns dos quais hoje renomados nacionalmente, tornando o estado uma referência na fotografia em todo o país.
Com seus ensaios, Chico Albuquerque participou de mostras nacionais e internacionais, colecionando grande número de premiações, como Prêmio Foto Cine Brasileiro (Rio de Janeiro/1950), Salone Internationale de la Tecnica (Itália/1952-1953), Salão Internacional de Frankfurt (Alemanha/1953), Focus, Salon Amsternan (Holanda/1954), e o Prêmio Nacional de Fotografia – Funarte (1998). Foi diretor fotográfico do Foto Cine Clube Bandeirante entre 1949 e 1950, ano em que participou do júri de Seleção do Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo.
Sua última exposição individual em vida foi em 1999, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, com uma retrospectiva que marcou os 65 anos de carreira profissional. Só parou de fotografar aos 83 anos, em 2000, quando ainda assinou campanha publicitária nacional, vindo a falecer em 26 de dezembro do mesmo ano.
INSTITUTO CHICO ALBUQUERQUE
Em 2003 foi criado o Instituto Cultural Chico Albuquerque, com o propósito de preservar e difundir a obra de Chico Albuquerque e de seu pai, Adhemar Bezerra de Albuquerque. Na França e no Brasil o ICCA realizou exposições com o tema Mucuripe, uma de suas mais importantes séries, e Retrospectiva Chico Albuquerque.
O ICCA foi responsável por projetos como o restauro da iconografia do cangaço, publicação de livros e exposições no Brasil e na França, ambos com o tema Cangaceiros. Também por meio do Instituto foi firmado um convênio entre o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) e o Instituto Moreira Salles (IMS) para restaurar, preservar, catalogar e difundir a obra de Chico Albuquerque. O IMS é hoje responsável pela conservação e recuperação do acervo do fotógrafo, composto por mais de 60 mil arquivos analógicos, entre negativos e cromos.
SERVIÇO
Exposição Chico Albuquerque Fotografias – Abertura oficial dia 28 de agosto (sábado), às 9h, com uma Roda de Conversa com Patrícia Veloso (Curadora da exposição e diretora da Terra da Luz Editorial), Ricardo Albuquerque (Pres. do Instituto Cultural Chico Albuquerque) e convidados. Local: Sobrado Dr. José Lourenço (Rua Major Facundo, 154 – Centro). A exposição poderá ser visitada até o dia 21 de outubro nos seguintes horários: Segunda a sexta das 9h às 19h, sábado das 10h às 19h e domingo das 10h às 14h. Informações: 3101.8826.
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